— Sacramento da Cura —
A Unção dos Enfermos
A Unção dos Enfermos é o sacramento destinado a confortar os que sofrem doença grave ou se aproximam da morte. Concede graça especial para enfrentar o sofrimento, perdoa pecados (mesmo mortais, se o doente não puder confessar-se), e por vezes restaura a saúde corporal, se isso convém à salvação espiritual. Não é o sacramento "da hora da morte" — pode e deve ser pedido em qualquer doença grave.
O que é a Unção dos Enfermos
O Catecismo (n. 1499) define: "pela sagrada unção dos enfermos e pela oração dos presbíteros, a Igreja inteira recomenda os enfermos ao Senhor sofredor e glorificado, para que os alivie e salve; e os exorta a unirem-se livremente à paixão e morte de Cristo, contribuindo para o bem do Povo de Deus".
Foi chamado durante séculos de extrema unção porque era frequentemente administrado quando a morte parecia iminente. O Vaticano II recuperou o nome bíblico "Unção dos Enfermos" (Constituição Sacrosanctum Concilium, 73) para reforçar que não é apenas para os moribundos.
Origem bíblica
"Alguém entre vós está doente? Chame os anciãos da Igreja, e eles façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o enfermo, o Senhor o levantará e, se cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados."
— Tg 5,14-15
Este texto da Carta de Tiago é o fundamento bíblico explícito do sacramento. Os apóstolos já o praticavam: "expulsavam muitos demônios e curavam numerosos enfermos, ungindo-os com óleo" (Mc 6,13).
Quem pode receber
Pode receber a Unção dos Enfermos todo batizado católico que:
- Tenha atingido o uso da razão (cerca de 7 anos)
- Esteja em perigo por doença grave ou idade avançada
- Vá passar por cirurgia de risco
- Esteja em estado debilitado pela idade, mesmo sem doença específica
Quando pedir, concretamente
- Diagnóstico de doença grave (câncer, cardiopatia grave, AVC, etc.)
- Antes de cirurgia de risco
- Agravamento de doença crônica em fase avançada
- Idade avançada com fragilidade significativa
- Recaída em doença grave anterior
Não espere a iminência da morte. Quanto antes o sacramento for recebido com lucidez, maior o proveito espiritual.
Pode ser repetido
Diferente do Batismo e da Crisma, a Unção pode e deve ser repetida sempre que:
- O doente se recuperar e adoecer gravemente de novo
- A doença crônica se agravar
- Houver perigo iminente novamente
O rito
O rito consiste essencialmente em:
- Imposição das mãos do sacerdote sobre a cabeça do enfermo, em silêncio.
- Oração da fé, em nome da Igreja.
- Unção com óleo abençoado (consagrado pelo bispo na Missa do Crisma) na fronte e nas mãos do doente.
A fórmula sacramental é:
Por esta santa unção e pela sua infinita misericórdia,
o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo.
Para que, liberto dos teus pecados,
Ele te salve e, na sua bondade, alivie os teus sofrimentos.
Amém.
O ministro
Apenas bispos e presbíteros podem administrar a Unção dos Enfermos (Cân. 1003 §1). Diáconos e leigos não podem, embora possam ministrar a comunhão ao doente (viático) e dirigir orações em torno do leito.
Efeitos do sacramento
O Catecismo (nn. 1520-1523) enumera os efeitos:
- Dom particular do Espírito Santo — graça de conforto, paz e coragem para suportar cristãmente a doença ou idade avançada.
- União à Paixão de Cristo — o sofrimento adquire sentido salvífico ao ser unido à cruz.
- Graça eclesial — o enfermo contribui pelo seu sofrimento para o bem do Povo de Deus.
- Preparação para a última passagem — fortalece para o combate final, se essa é a hora.
- Perdão dos pecados — se o doente não pôde recebê-lo pelo sacramento da Penitência.
- Restauração da saúde corporal — se isso for útil à salvação da alma.
O Viático
Para quem está em perigo iminente de morte, a Igreja oferece o Viático — palavra latina que significa "alimento para o caminho". É a Sagrada Comunhão recebida como provisão para a viagem da alma até Deus. Sempre que possível, deve-se garantir ao moribundo este último encontro com Cristo Eucarístico (Cân. 921). É o sacramento próprio dos que estão de passagem.
A "comendação da alma"
Junto ao leito do moribundo, a Igreja oferece orações específicas — a Commendatio animae — pedindo aos santos, anjos e à Virgem Maria que acompanhem a alma em sua passagem. Inclui ladainhas, salmos e a invocação "Parte, alma cristã, deste mundo...". Os familiares podem rezá-las junto com o sacerdote ou após sua partida.
Quando o doente já não tem consciência
A Unção pode ser administrada validamente a doente inconsciente ou em coma, desde que se possa presumir que ele a pediria se estivesse lúcido (Cân. 1006). Pode-se administrar até mesmo a doente recém-falecido, sob condição (Cân. 1005), pois a Igreja desconhece o momento exato da morte da alma.
Importante: não espere para chamar o padre
Muita gente, por superstição ou medo de "anunciar a morte", evita chamar o padre. Isto é um erro grave. O sacramento conforta, não acelera a morte. Famílias católicas devem chamar o sacerdote cedo, enquanto o doente ainda pode confessar-se, receber a Eucaristia e participar conscientemente do sacramento.
"Quem completa em minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu corpo que é a Igreja."
— Cl 1,24
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