— Sacramento da Reconciliação e da Misericórdia —

A Confissão

A Confissão — também chamada Sacramento da Reconciliação, da Penitência, do Perdão ou da Conversão — é o sacramento pelo qual o cristão, depois do Batismo, obtém de Deus o perdão dos pecados cometidos. É um dom imenso da misericórdia divina: a possibilidade de recomeçar, indefinidamente, sempre que o coração se arrepende e busca a reconciliação com Deus e com a Igreja.

O que é a Confissão

O Catecismo (n. 1422) ensina: "os que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia de Deus o perdão das ofensas feitas a Ele e, ao mesmo tempo, reconciliam-se com a Igreja, a quem feriram pecando". É chamado:

Instituição por Cristo

No dia da Ressurreição, Jesus aparece aos apóstolos e institui o sacramento:

"A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, também eu vos envio." E, soprando sobre eles, disse: "Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos."

— Jo 20,21-23

Esta passagem fundamenta o poder de absolver os pecados, transmitido pelos apóstolos a seus sucessores. Somente bispos e presbíteros podem perdoar os pecados em nome de Cristo (Cân. 965).

Os três atos do penitente

O penitente deve realizar três atos para uma confissão válida e frutuosa:

1. Contrição

É a "dor da alma e detestação do pecado cometido, com a resolução de não mais pecar" (Catecismo da Igreja Católica, n. 1451). A contrição é:

2. Confissão dos pecados

É preciso confessar ao sacerdote todos os pecados mortais de que se tem consciência, com seu número aproximado e suas circunstâncias agravantes (Cân. 988 §1). Os pecados veniais não obrigam, mas a Igreja recomenda fortemente também confessá-los, pois facilitam o crescimento espiritual.

3. Satisfação (penitência)

É a penitência imposta pelo confessor — orações, jejuns, obras de misericórdia, atos de mortificação — que repara, ao menos parcialmente, o dano causado pelo pecado. Deve ser cumprida com prontidão.

Como se confessar — passo a passo

Roteiro prático

  1. Faça o exame de consciência antes de ir ao confessionário (consulte nossa página de exame de consciência).
  2. Suscite a contrição — peça a Deus arrependimento sincero e firme propósito de mudar.
  3. Aproxime-se do confessor, faça o sinal da cruz e diga: "Bênção, padre, faz [tempo desde a última confissão] que me confessei. Acuso-me dos seguintes pecados..."
  4. Confesse os pecados com clareza e sinceridade. Não omita pecado mortal por vergonha — todo sacerdote já ouviu de tudo, e o sigilo é absoluto.
  5. Diga ao final: "Destes e dos pecados que esqueci, peço perdão a Deus e absolvição ao senhor padre."
  6. Ouça os conselhos do confessor e a penitência que lhe é imposta.
  7. Reze o Ato de Contrição enquanto o sacerdote pronuncia a absolvição.
  8. Saia e cumpra a penitência com prontidão. Agradeça a Deus.
Ato de Contrição

Meu Deus, porque sois tão bom, tenho muita pena de Vos ter ofendido.
Ajudai-me com a Vossa graça,
para não tornar a pecar.
Amém.

Fórmula da absolvição

Absolvição sacramental

Deus, Pai de misericórdia,
que reconciliou consigo o mundo
pela morte e ressurreição do seu Filho,
e derramou o Espírito Santo para a remissão dos pecados,
te conceda, pelo ministério da Igreja,
o perdão e a paz.
E eu te absolvo dos teus pecados,
em nome do Pai, e do Filho, ✠ e do Espírito Santo.
Amém.

Pecado mortal e pecado venial

Para que um pecado seja mortal — isto é, prive a alma da graça santificante — devem coexistir três condições (Catecismo, n. 1857):

  1. Matéria grave — violação dos mandamentos em coisa importante (homicídio, adultério, blasfêmia, faltar à Missa dominical sem causa, etc.)
  2. Pleno conhecimento — saber que se trata de pecado grave
  3. Pleno consentimento — escolha deliberada, sem ignorância invencível ou paixão arrebatadora

Faltando qualquer uma dessas condições, o pecado é venial — fere a caridade mas não a destrói. O pecado venial diminui o fervor da caridade e prepara o terreno para o pecado mortal, mas não rompe a aliança com Deus.

O sigilo sacramental

Inviolável e absoluto

O confessor está absolutamente obrigado ao sigilo, mesmo sob pena de morte (Cân. 983 §1). A violação direta do sigilo sacramental implica em excomunhão automática reservada à Santa Sé (Cân. 1388 §1). Nenhuma autoridade civil, judicial ou eclesiástica pode obrigar o sacerdote a revelar o que ouviu em confissão. Esta garantia é total, sem exceções de qualquer natureza.

Frequência da confissão

A Igreja obriga o fiel a confessar os pecados mortais ao menos uma vez por ano (Cân. 989), mas recomenda a confissão frequente — mensal, quinzenal ou semanal — mesmo dos pecados veniais. São Pio X, São João Bosco, São José Maria Escrivá e tantos outros santos recomendavam a confissão semanal como meio poderoso de santificação.

A confissão frequente, mesmo de pecados leves, fortalece a consciência, aumenta a graça santificante, dá luz para o discernimento e ajuda a vencer hábitos pecaminosos pela direção espiritual contínua do confessor.

Antes da Comunhão

Quem está consciente de pecado mortal deve confessar-se antes de comungar (Cân. 916). Em caso de necessidade urgente sem confessor disponível, deve fazer ato de contrição perfeita com firme propósito de se confessar quanto antes.

Confissão de devoção

Quem não tem pecados mortais pode (e a Igreja recomenda) fazer a chamada "confissão de devoção" — confessando os pecados veniais, recebendo conselhos espirituais e aumentando a graça. Não é redundante: a vida espiritual cresce com o uso frequente do sacramento.

Confissões inválidas e sacrilégios

É inválida ou sacrílega a confissão na qual o penitente:

Nestes casos, é preciso refazer a confissão completa quando se tomar consciência da gravidade, mencionando inclusive a invalidade da anterior.

"Não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento."

— Lc 5,32

Veja também: Exame de Consciência completo

→ Próximo: A Unção dos Enfermos