— Fonte e Ápice da Vida Cristã —

A Eucaristia

A Eucaristia é o "sacramento dos sacramentos" — pois nela está realmente presente Cristo em pessoa: seu corpo, seu sangue, sua alma e sua divindade, sob as espécies do pão e do vinho. Os outros sacramentos conduzem a ela e dela derivam sua força. Para os católicos, a Eucaristia é "fonte e ápice de toda a vida cristã" (Lumen Gentium, 11).

O que é a Eucaristia

Eucaristia, do grego eucharistia ("ação de graças"), é simultaneamente:

O Catecismo (n. 1324) ensina: "a sagrada Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa".

Instituição por Cristo

Na noite da Quinta-feira Santa, antes de sua paixão, Jesus instituiu a Eucaristia (Lc 22,19-20; 1Cor 11,23-26):

"Tomando o pão, deu graças, partiu-o e deu-lhes, dizendo: 'Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.' Do mesmo modo, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: 'Este cálice é a nova aliança em meu sangue, derramado por vós.'"

— Lc 22,19-20

Antes, no discurso de Cafarnaum (Jo 6), Jesus havia prometido este sacramento: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna" (Jo 6,54). Muitos discípulos se escandalizaram e o abandonaram, mas Jesus não recuou nem suavizou a afirmação.

A transubstanciação

No momento da consagração, pela palavra do sacerdote agindo in persona Christi, ocorre a transubstanciação: as substâncias do pão e do vinho são convertidas integralmente no Corpo e no Sangue de Cristo, permanecendo apenas suas aparências (cor, sabor, peso, forma). O termo foi consagrado pelo Concílio de Latrão (1215) e definido pelo Concílio de Trento (sessão XIII, 1551).

O que muda e o que permanece

Muda a substância: o que é o pão e o vinho deixa de existir e se torna o próprio Cristo.

Permanecem os acidentes: tudo o que os sentidos percebem — sabor, cor, forma, peso — continua sendo o de pão e vinho.

Esta é a razão pela qual o fiel adora a hóstia consagrada: não está adorando pão, mas o próprio Cristo realmente presente sob a aparência do pão.

A Primeira Eucaristia

A Primeira Comunhão é geralmente recebida entre os 9 e 11 anos, após período de catequese específica (1 a 2 anos). Antes, no entanto, é necessário ter feito a Primeira Confissão, pois a Eucaristia exige estado de graça.

O Decreto Quam singulari de São Pio X (1910) determinou que a idade da primeira comunhão coincida com a "idade da razão" (em torno dos 7 anos), exigindo apenas que a criança saiba distinguir o Pão Eucarístico do pão comum. Cabe aos pais e párocos discernir quando a criança está preparada.

Requisitos para a Primeira Comunhão

O jejum eucarístico

Para receber a Comunhão, é preciso observar uma hora de jejum antes (Cân. 919 §1). A água e os medicamentos não quebram o jejum.

Idosos e enfermos, bem como seus cuidadores, estão dispensados desta exigência se isso lhes causar dificuldade (Cân. 919 §3). Antes da reforma de Pio XII (1953), o jejum era da meia-noite — daí ter sido tão comum a Missa pela manhã.

Estado de graça para comungar

Pecado mortal impede a comunhão

Quem tem consciência de estar em pecado mortal não pode comungar sem antes confessar-se (Cân. 916). São Paulo adverte: "Quem come o pão e bebe o cálice indignamente, será réu do Corpo e do Sangue do Senhor" (1Cor 11,27-29).

Em caso de necessidade grave e impossibilidade de confessar-se, deve-se fazer um ato de contrição perfeita com firme propósito de confessar-se assim que possível.

Frequência da comunhão

A Igreja recomenda fortemente a comunhão diária ou ao menos semanal, sempre em estado de graça. O preceito mínimo é comungar ao menos uma vez por ano, no tempo pascal (Cân. 920) — chamado "preceito pascal" ou "Páscoa do cristão".

Pode-se comungar duas vezes no mesmo dia, desde que a segunda seja dentro de uma celebração eucarística (Cân. 917).

Comunhão na boca ou na mão

Ambas as formas são permitidas no Rito Romano após o Vaticano II. A comunhão na boca é a tradição mais antiga, considerada mais reverente por muitos fiéis e fortemente recomendada pelo Magistério recente. A comunhão na mão, retomada após o Concílio, exige o cuidado de receber a hóstia colocando a mão "como um trono" (São Cirilo de Jerusalém) e consumi-la imediatamente diante do ministro. Receber ajoelhado ou de pé também são opções legítimas — a Igreja aceita ambas.

Comunhão espiritual

Quando não se pode receber a Eucaristia sacramentalmente (por doença, ausência de Missa, impedimento canônico em processo de regularização), a tradição da Igreja oferece a comunhão espiritual: um ato de fé e desejo ardente de se unir a Cristo. Santo Tomás de Aquino ensina que se recebem reais frutos por este ato.

Comunhão espiritual de Santo Afonso de Ligório

Meu Jesus, eu creio que estais presente no Santíssimo Sacramento.
Amo-Vos sobre todas as coisas e desejo ardentemente receber-Vos em minha alma.
Já que não posso, neste momento, receber-Vos sacramentalmente,
vinde, ao menos espiritualmente, ao meu coração.
Como se já tivésseis vindo, eu Vos abraço e me uno todo a Vós.
Não permitais que jamais me separe de Vós. Amém.

Adoração eucarística

Como Cristo permanece presente nas espécies consagradas, a Igreja reserva o Santíssimo Sacramento no sacrário e expõe periodicamente para adoração — em ostensório, durante horas santas, dias eucarísticos ou Adoração Perpétua. Adorar é "estar com" Cristo, em silêncio, oração e contemplação. Aos pés do sacrário, o cristão prepara-se para a Comunhão e prolonga seu efeito.

Os frutos da Comunhão

O Catecismo (nn. 1391-1401) elenca os efeitos da Comunhão dignamente recebida:

"Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele."

— Jo 6,56

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