— Sacramento do Ministério Apostólico —
O Sacramento da Ordem
A Ordem é o sacramento pelo qual a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua a ser exercida na Igreja até o fim dos tempos. Pelo Sacramento da Ordem, um homem é configurado a Cristo Cabeça e Pastor para servir o Povo de Deus como diácono, presbítero ou bispo. Imprime caráter indelével e não pode ser repetido. É o sacramento do ministério apostólico — sem ele, não há Eucaristia, Confissão nem Unção dos Enfermos.
Os três graus da Ordem
A Ordem é um sacramento único, conferido em três graus distintos e ordenados (Catecismo, n. 1554):
1. Episcopado (bispos)
Plenitude do sacramento da Ordem. O bispo é sucessor dos apóstolos. Cabe-lhe o múnus de ensinar, santificar e governar a Igreja particular que lhe é confiada. Apenas o bispo pode conferir o sacramento da Ordem (ordenar diáconos, presbíteros e outros bispos) e administrar ordinariamente a Crisma.
2. Presbiterado (padres)
Colaborador do bispo no exercício do múnus apostólico. O presbítero é cooperador da ordem episcopal, ungido para celebrar a Eucaristia, absolver pecados no sacramento da Penitência, assistir matrimônios, ungir enfermos, batizar e pregar a Palavra.
3. Diaconato
Primeiro grau da Ordem. O diácono é ordenado "não para o sacerdócio, mas para o ministério" (Lumen Gentium, 29). Pode batizar, assistir matrimônios, proclamar o Evangelho, pregar, distribuir a Eucaristia e presidir exéquias — mas não pode celebrar Missa, confessar nem ungir enfermos. O diaconato pode ser transitório (passagem para o presbiterado) ou permanente (homens casados ou celibatários ordenados permanentemente diáconos).
Origem bíblica
Jesus escolheu os Doze (Mc 3,13-19) e lhes conferiu poderes específicos: pregar (Mt 28,19-20), batizar (Mt 28,19), perdoar pecados (Jo 20,22-23), celebrar a Eucaristia (Lc 22,19 — "Fazei isto em memória de mim"). Estes poderes foram transmitidos pelos apóstolos a seus sucessores por imposição das mãos (At 6,6; 13,3; 1Tm 4,14; 2Tm 1,6).
Esta cadeia ininterrupta — chamada sucessão apostólica — garante até hoje que cada bispo católico válido recebeu sua ordenação de outro bispo, e este de outro, em linha contínua que remonta aos apóstolos.
O rito da Ordenação
O essencial do rito de cada grau consiste em dois gestos:
- Imposição das mãos do bispo sobre o ordinando, em silêncio.
- Oração consecratória própria do grau (diácono, presbítero ou bispo).
Outros ritos complementares incluem: prostração na ladainha dos santos, unção das mãos (presbítero) ou da cabeça (bispo), entrega dos instrumentos do ministério (livro dos Evangelhos para o diácono, cálice e patena para o presbítero, anel e mitra para o bispo), e a primeira concelebração.
Quem pode ser ordenado
Para a ordenação válida e lícita, exige-se (Cân. 1024-1052):
- Ser homem batizado (a ordenação só pode ser conferida validamente a varão batizado)
- Ter recebido a Crisma
- Ter idade canônica (23 anos para diácono transitório, 25 para presbítero, 35 para bispo)
- Ter completado a formação requerida (filosofia + teologia em seminário, mínimo 6 anos)
- Ter vocação reconhecida pela Igreja
- Estar livre de impedimentos
- Aceitar livremente as obrigações do ministério (celibato, na Igreja Latina)
O celibato sacerdotal
Na Igreja Latina, todos os bispos e presbíteros assumem o celibato perpétuo. É disciplina antiga (atestada desde o Concílio de Elvira, século IV) consolidada universalmente no Concílio Lateranense II (1139). Não é exigência dogmática, mas disciplinar — fortemente recomendada pelo próprio Cristo (Mt 19,12) e por São Paulo (1Cor 7,32-35).
Nas Igrejas Orientais católicas (Maronitas, Melquitas, Caldeus, Ucranianos etc.), homens casados podem ser ordenados presbíteros — mas, ordenados, não podem mais casar-se. Os bispos orientais são escolhidos sempre entre celibatários (geralmente monges).
O diaconato permanente, restaurado pelo Vaticano II, admite homens casados (com consentimento da esposa). Mas, ordenados, não podem casar-se de novo se a esposa falecer.
A vocação sacerdotal
Vocação é chamado de Deus. Ninguém é sacerdote por mérito próprio: é "chamado por Deus, como Aarão" (Hb 5,4). Mas o discernimento se dá em três passos:
- Chamado interior — desejo profundo, atração espiritual, paz na consideração da entrega total.
- Chamado da Igreja — confirmação pela autoridade legítima (bispo) após formação prolongada.
- Vida sacerdotal subsequente — fidelidade e fecundidade do ministério como prova posterior.
Formação no seminário
Geralmente comporta:
- Propedêutico ou Discipulado — 1 ano de introdução à vida espiritual e discernimento
- Filosofia — 2 a 3 anos de estudos filosóficos
- Teologia — 4 anos de teologia sistemática, bíblica, moral, espiritual
- Estágio pastoral — em paróquias e comunidades
- Ministérios instituídos — Leitorato e Acolitato
- Ordenação diaconal — geralmente após o 4º ano de teologia
- Ordenação presbiteral — após o 5º ou 6º ano, sob aprovação do bispo
Efeitos do sacramento da Ordem
O Catecismo (nn. 1581-1589) enumera os principais efeitos:
- Caráter indelével — configura ao Cristo Sacerdote para sempre. Mesmo o sacerdote suspenso ou que abandona o ministério permanece sacerdote ontologicamente, embora não exerça as funções.
- Graça do Espírito Santo própria do grau — fortalece para o ministério.
- Configuração a Cristo Cabeça — o ministro age in persona Christi capitis.
- Poder sagrado — para celebrar os sacramentos próprios do grau.
Os "três múnus" do ordenado
Toda ordenação confere participação em três funções de Cristo (Catecismo, n. 1592):
- Múnus de santificar — celebrar os sacramentos, santificar pelo culto.
- Múnus de ensinar — pregar a Palavra, transmitir a doutrina.
- Múnus de governar — dirigir e pastorear a comunidade confiada.
"Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec."
— Sl 110,4 (citado em Hb 5,6)
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